Vou te apresentar meu amigo…
Texto por Lu M.
Após os trinta anos nos questionamos o objetivo das coisas e umas dessas
é a vida. Ainda acredito no amor, no casamento, sabe aquele friozinho na
barriga que dá quando pensamos em alguma pessoa, o sorriso no cantinho dos lábios,
acho que é isso que quero.
A maioria das mulheres cresce e é educada para esperar o ‘príncipe encantado’, aquele homem que vai fazê-la feliz (como se para ser feliz, bastasse um homem, rs), mas crescemos e descobrimos que fomos enganadas rsrs, a felicidade vai muito além de ter outro ser ao nosso lado, mas continuamos a procura por esse alguém.
Ah e também descobrimos que não é nada fácil achar esse alguém, aliás encontrar é fácil, mas nem sempre há a ‘química’ e nesse percurso acontecem encontros divertidos, engraçados é o que se diz de ‘aproveitar o percurso’.
Em busca de conhecer esse alguém que me traga novas sensações, tento a sorte nos aplicativos de encontros e no chat (que já me proporcionou emoções intensas, divertidas, diria até que inesquecíveis, rs). Acredito que as palavras nos seduzem mais que um corpo bonito.
Cheguei num ponto em que os amigos começam a querer me juntar com algum solteiro que eles conhecem, rs, “tem um amigo meu que tá solteiro, vou te apresentar” e a história de hoje é sobre um desses encontros, rsrs.
Confesso que fiquei curiosa após me falarem o perfil do rapaz:
“Ele é alto, mais alto que você, olhos verdes, cabelos pretos, é trabalhador, já foi casado, tem uma filha e está procurando namorada, acho que você combina perfeitamente com ele...”, depois de uma propaganda dessas, quem não fica curiosa? Pensei “será Deus” rsrsrs.
Como moro em uma cidade de interior, temos poucas opções de lugares para primeiros encontros, pensei nos critérios para escolha do lugar, tinha que ser um lugar discreto, sem muitas pessoas conhecidas para atrapalhar a conversa, precisava ter música, porque se ele não for bom de conversa, pelo menos a música preenche o tempo e não fica aquele silêncio horrível.
E já esperando a
pergunta dele “Onde vamos?” queria ter a resposta pronta rs, já passei da fase
de dizer “ah, onde você quiser”, já passei situações inusitadas com essa
resposta, rsrsrs. Trocamos telefone, lugar escolhido um pub “Arena” e lá fomos
nós para o encontro.
As expectativas? Muitas, isso já vem gratuito no pacote mulher, rsrsrs... Estava esperando um cavalheiro, que me buscasse em casa, abrisse a porta do carro, com isso já estaria 50% apaixonada rs.
Eis que vem o primeiro desapontamento, ele disse que a gente se encontraria lá... pensei, ah é até melhor, assim se não gostar volto a hora que eu quiser.
Chegando lá as 20h enviei mensagem avisando que já estava lá, o homem estava no estacionamento, nem tinha entrado ou escolhido a mesa. Nos cumprimentamos e ficamos ali no meio do estacionamento, ele me olhando calado, tomei a iniciativa chamei para entrar, fui a frente, escolhi a mesa.
Pensei: agora ele chama o garçom.
Nada, o homem ficou parado lá me olhando, então fui puxando assunto, perguntando se gostava daquele tipo de música (estava tocando sertanejo universitário).
Até que o garçom passou, ele tinha mencionado que gostava de chopp, eu já pensei em uma cerveja forte, para ficar alegre rápido, rs. Falei para o garçom que queria cerveja e ele um chopp, o homem não manteve o que disse, dispensou a bebida, falou que ficaria com a cerveja também. Tudo bem.
Continuei a puxar a conversa, afinal queria saber se ele era “a metade da laranja”, rsrs. A cerveja chegou num baldinho com gelo e os copos. Olhei para a cerveja esperando que ele tomasse a iniciativa de nos servir... e pasmem, nada!
O homem respondia o que eu perguntava e ficava parado me olhando (tipo gatinho Shrek), eu já evitando olhava para a banda, cantava junto as músicas “é a boa essa música né” e a cerveja já estava há uns 5 minutos na mesa.
Ao fim eu
abri a cerveja e servi os copos, rs, pensei: a segunda cerveja ele abre e serve,
já viu como faz, rs... Mas a noite toda eu servi a cerveja. Escolhi a comida,
ele só concordava, se queria passar a impressão de submisso funcionou rsrsrs.
Admito que a falta de iniciativa me frustrou, duas horas depois, quase um interrogatório, afinal só eu falava, fui ao banheiro, tentando recuperar o que restava da noite de sábado, mandei mensagem para uma amiga convidando para sair mais tarde, já sabia que o encontro não daria frutos, rs.
Investiguei se ele gostava de dançar, a final poderia convidá-lo para sair depois, mas o homem não curtia dançar, disse que ia nas festas para olhar o movimento, já que não sabia dançar.
Então as 23h chamei para ir embora, eu tive que pedir a conta, rs. Na hora de pagar reconheço que esperaria uma última atitude da parte dele como cortesia.
Eu sou independente, não preciso de homem para pagar
minhas coisas, mas confesso que esse gesto me encanta, acho bonitinho, gentil,
educado. Então me ofereci para pagar a metade, ele disse “moço passa a metade
em cada cartão”, eu esperando que ele falasse “não que isso, passe tudo no meu
cartão”, rsrsrs, o que mais esperar daquele homem?
Saímos, nos despedimos, eu tinha certeza que ele não seria “o homem” que eu procuro, queria iniciativa, atitude, faltou...
Passei na casa da amiga e fomos dançar, pelo menos a noite não tinha sido perdida, voltamos solteiras, mas nos divertimos horrores, as bolhas nos meus pés foram testemunhas rs.






